29 de dez de 2015

Acabou

Como vou dizer que já finda esta dança,
Se a música ainda toca em minha mente?
Como vou dizer que acabou a festa,
Se ainda não me sinto embriagado novamente?

Como vou dizer que a noite chegará,
Se logo sei que no dia seguinte o sol nascerá?
Como vou dizer que as flores irão murchar,
Se pela manhã, coberta de orvalho vão estar?

Como vou dizer que o amor irá acabar,
Se haverá sempre um olhar a me fitar?
Como vou saber diferenciar as amizades,
Se de todas, as muitas me trouxeram falsidades?

Como vou sorrir ao ver os fogos no céu,
Sabendo que aqui embaixo rasgam o meu véu?
Como vou ser forte em meio a tantos problemas,
Se só vivo a seguir fracos teoremas?

Como farei renascer o poder em mim,
Se logo assim está chegando ao fim?
Como vou saber quem realmente me amou,
Se mesmo antes que eu soubesse, tudo já acabou.

Josyallenn Tavares

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15 de dez de 2015

Nota de Falecimento

A família enlutada tem o prazer de comunicar,
Que à meia-noite de ontem
Faleceu Gurmêncio Jurumbeba Ferreira Silva dos Santos,
Codinome “Poeta”.
Seu corpo foi encontrado a beira da cama,
Jogado como quem se cansou de viver...
Jurumbeba era mentiroso, falso,
Não se importava com os sentimentos dos outros,
Chutava os cachorros quando passava na rua;
Um dia, jurumbeba quebrou o vidro da delegacia,
Mas ele era tão habilidoso que não o conseguiram pegar.
Jurumbeba já tinha iludido muitas garotinhas,
Mais ainda, se iludiu.
Jurumbeba tinha um coração (por mais que não parecesse).
Enquanto sua mãe catava suas coisas para vender
Encontrou uma carta que ele havia escrito,
Em letras trêmulas e falhas,
(Acreditasse que antes de morrer)
Que dizia assim:
“Escrevo esta carta com o intuito de doação de bens pessoais,
E gostaria de em poucas palavras apontar cada um:
Deixo a minha bola de futebol novinha para a Dona Neide,
Para que assim ela se sinta no prazer
De rasgá-la com a faca de cozinha, como fazia com as outras
Quando caiam no quintal de sua casa;
Deixo meu carrinho de lata para Gumercindo;
Deixo o osso em meu prato para a Lita (nossa cachorrinha);
Minha peteca para Jonas;
Minha sandália (com um prego em baixo) para Elivelton;
Minhas roupas para Juliete (minha irmã mais velha),
Para que assim ela as faça de pano de chão;
Deixo as marcas de cinto nas costas para meu pai;
Deixo os inchaços de cascudos na cabeça,
Que minha mãe me dava quando eu não queria estudar;
Se caso notarem a falta de alguma coisa dentro de casa,
Quero dizer que não só deixei, como também levei algumas coisas,
Para que assim eu sempre lembrasse de vocês.
Levei a raiva que fazia para meus irmãos,
Levei os motivos que causavam brigas entre meus pais,
Levei as lágrimas que consegui encontrar derramadas no chão de nossa casa...
Bom, espero que essas coisas não os venha fazer falta alguma,
Pois, logo retornarei, só fui fazer uma viagem.
Um homem me falou uma vez que o céu era lindo, lá tem paz e alegria,
Mas eu acho que não vou para lá,
Mas vai ser bom pra mim, preciso de um tempo sozinho para pensar no meu futuro,
Organizar as ideias, em fim...
Ah, quero lembrar que deixei embaixo do meu travesseiro,
Algumas notas de réis que guardei durante meses,
Para que o aluguel atrasado possa ser pago.
Com amor: Gurmêncio Jurumbeba Ferreira Silva dos Santos”
O sepultamento será às 15h00min,
No Cemitério Porta do Céu,
Aguardamos todos lá.

-Josyallenn Tavares
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19 de nov de 2015

Susprazeres

Os passos andam lentamente pelo caminho,
E os corpos se perguntam em que direção irão,
O coração no peito de Travis queima
Mais que o próprio fogo em combustão.

Jhoy olha para os lados sem perceber
Que Travis mira seus olhos nos lábios a desejar;
Ele percebe que ela olha, e então o vê
Comendo seu corpo apenas com um olhar.

Envergonhado o casal continua a andar,
Sem jeito, Jhoy pergunta: "Como você está?".

Bem descontraído, Travis fala em alta voz:
"-Nunca estive tão melhor, estou até me sentindo um albatroz!"

As bocas sorriem e logo ali
Começam a dialogar incansavelmente;
"Calma 'Travis'! Aguente!"
Não dá, vou desistir.

E de repente ele faz calar
Aquela boca que tanto falava.
A mesma boca que dizia "oi",
Foi a mesma que ali se beijava.

Mão; cabelo.
Mão; rosto.
Mão; costas.
Mão; corpo.
Mão; cintura.
Mão; cabelo...
Boca; boca...

Línguas, entrelaçadas...
Mãos suadas...
"Solto, ou prendo com mais força?"
"Tenho medo que me ache ousada, e não me veja como moça..."

Mão; cabelo.
Mão; rosto.
Mão; costas..
Mão lá...
Mão cá...
Lá aqui...
Aqui estou lá...

Silêncio... pardo...
Beco... calo...
extasiante...

-Josyallenn Tavares


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Ninfa

Quão suave e delicada é tua pele,
Nos teus lábios o sublime amar.
Ofegante, fico frente aos teus tênues olhos,
Vibra meu corpo querendo te beijar.

Tua cintura fina, pequena;
Quão aprazível teu respirar,
Que quando bate em minhas narinas
Me renova, faz flutuar.

Oh, querida! Quem dera eu as escondidas
Sempre contigo se encontrar,
É uma aventura que me aquece o corpo,
Me treme as pernas, faz frio na barriga,
E me faz mais por ti se apaixonar.

-Josyallenn Tavares
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13 de nov de 2015

Memórias Verde-Oliva

I

Oh, pátria amada, mãe gentil;
Por tanto tempo ela me serviu...
Lembro-me de quando ignorei nos primeiros passos,
Lembro do olhar bem fixado,
Do nervosismo que parecia inacabado
(Por quê fui querer ser alistado?).

A entrevista feita,
A inspeção médica;
“Sim senhor” ou “não senhor”
Fora isso é falta de ética!

Minha amiga foi a madrugada
Durante o tempo de aventura,
Cada chão em que eu marchava
Me sentia indo à luta.

Corridinhas mixucuras
Quem nem davam para cansar,
Farda, garra e fuzil
Agora já não posso mais parar.

Tenho em memória cada amigo
Que ali foi conquistado,
As brincadeiras e emoções
Não poderei eu deixar de lado.

II

Lembro das noites em claro
As conversações que ali tinha,
Lembro, mas tento não lembrar
Das lágrimas que de mim saia.

Quando tudo se encerrou
A última canção tocou,
O choro se iniciou
Só a marca do tempo que ficou.

Quão saudosos são os momentos
Que ficarão em minha memória,
Agora posso dizer ao meu comandante:
“Obrigado por ter me ajudado em minha história”.

-Josyallenn Tavares
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12 de nov de 2015

Desejo Escarlate

Em quais lábios fora encontrado tal coloração?
Sem que a mente ingênua não pensasse
Nem se quer imaginasse
Nos prazeres sentidos do coração.

Em que vertente se encaixa vossas curvas
Oh, lábios adocicados...
Vermelho, cor do pecado,
Gostoso, gosto das uvas.

Pego-me a desejar com tamanho prazer
Aqueles lábios que falam,
Assim como as flores exalam
Um aprazível aroma a oferecer.

É um erro o guardar
Este desejo que insiste em aflorar;
Mas qual é o tamanho do teu desejo?
Matarias para tê-la para ti,
Ou apenas à roubaria teu beijo?


-Josyallenn Tavares
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8 de set de 2015

Arrastou

Ao longe se ouve os gritos,
A música vem chegando aos ouvidos,
Vagarosamente e calma
Como um soco de direita de Muhammad.
Vem dilacerando minh'alma.

O automóvel em quatro rodas,

Os metros de Auto-falantes e Twitter,
Aquele monstro terrível;
Será, meu Deus!?
Olha lá, lá vem a besta ingerível!

Aos pés da besta, seus servos,

Exalando puro suor.
Os líquidos entram em suas bocas,
Ao mesmo tempo que saem,
O calor vai deixando todas as pessoas loucas.

"Assim caminha a humanidade..."


Cegos!

Ignorantes!
Controlados!
Sem autonomia...

E aos poucos vão se arrastando,

Se ludibriando...
Mas o que levam pra sua vida?
-"Haa, não!!"
Mataram mais um pai de família.

A filha se "enboneca" toda,

Passa batom, faz chapinha,
Coloca o pano sobre o corpo...
Mas que pano?
A meia saia que ela tinha?

O filho, playboy,

Bebe Whisky e Redbull;
O outro, coitado,
Cheira cola na esquina
Não sabe que logo seu corpo será encontrado.

A mãe deixou seus filhos!

A vizinha que se vire para cuidar,
Mas mal sabe ela, que seu vizinho,
Acabará de encontrar
Sua filha de 15 anos para então adulterar.

"Ainda vai levar um tempo..."


Passou, levou...

passou, embriagou...
Passou, festejou...
Passou, danificou...
Arrastão, arrastou...

-Josyallenn Tavares
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10 de jun de 2015

Desejo Oral

Como se nada mais faltasse,
Me pegaste nesse empasse.
Num nascer de sol qualquer,
Vi que eras a mais bela mulher
Na qual deixou que meus olhos, em ti focassem.

O teu corpo analisei.
Descendo, então logo parei,
Percebi que me encantei.
Parece uma coisa meio louca,
Mas vi meu desejo estampado na sua boca.

Imaginei mil sensações,
Me vi num mar de emoções.
Como vários motores em propulsões,
Acelerou meu coração,
Me vi preso em tua mão,
Mas na boca, em negações.

O som estralado da tua língua,
Fez-me nascer então uma míngua.
A vontade de tê-la entre a minha,
Foi tão grande, e eu já sabia
Que um dia, quem diria que estarei a te provar.

Mas se o dia não chegar,
Mesmo assim tu já saberá,
Que aquela boca que eu olhava
Te fitava e disfarçava
Eu desejei morder, beijar.

-Josyallenn Tavares

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25 de mai de 2015

Versos em Segredo

               I
Aquele olhar sereno;
Quem sabe insano,
Cor esplendida, sombreado,
Mas com o brilho de um anjo.

Aquele olhar cativo;
Que me faz imaginar,
Me tirando do lugar
Na qual antes deveras estar.

Aquele olhar sedutor;
Que causa bastante furor,
Se faz tornar presente
Passado, futuro e ausente,
Os sinônimos e adjetivos do que é o amor.

Aquele olhar singelo;
Tão encantado, quanto belo.
Se torno á vê-lo em outros braços
me embaraço no teu laço,
Perco a cabeça em teu espaço.

Aquele olhar, que sem querer
Fala mais do que devia;
Quem imagina que um dia
Eu possa tê-lo em meu ser.

             II
Aquele olhar que satisfaz,
Que traduz a minha paz,
Me tirando do alento,
Me pegando desatento
E entregando-me ao capataz.

Aquele olhar que me estrangula,
Me faz gemer, gritar, sangrar,
Ao mesmo tempo me traz um sorriso
Um sentimento indeciso
(Não vou dizer o seu nome)
Mas dá vontade de os roubar.

Se eu morresse sobre esses olhares,
Se ao menos ficasse nos falares,
Nos ditos populares,
Que um dia estive à lhes amar.

Mas enquanto meu findar não chega,
Me apresso para vê-la.

Entregar este papel que te fará refletir,
Não te obrigo à pensar em mim,
Nem tão pouco imaginar,
Que enquanto esses olhos brilham
Vendo meu poema em versos
Em ti, estou à pensar.


 -Josyallenn Tavares
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15 de abr de 2015

Desejo Proibido

Quando me desalento em tua ausência,
A saudade clama e aflora uma abstinência.

Quando o meu corpo toca o teu
Sinto algo que não se perdeu.

Meu corpo treme e deseja mais
Te ver naquele momento ou depois, tanto faz.

Só de te ver ao longe sinto algo me remexe,
No meu estômago, nervosismo, logo tudo me estremece.

Quando sinto o teu abraço dá vontade de ir além,
Mas como não nos é permitido, eu fico aqui, sem.

Os seus olhos de avelã, os seus lábios doce mel,
Quando os sinto tocar minha pele, se dissipa todo fel.

Quando sinto o teu cheiro como os lírios num jardim,
Queria me ter em teu corpo, e o teu corpo junto à mim.

Mas não é nos permitido pelo poder do destino,
Quem sabe só futuramente, não me tenhas só como amigo.

Mas não nos é permitido, por causa da escolha que foi feita,
Mas beijar o teu colo, abraçar-te ao teu corpo deleitoso,
Disso nunca te farei desfeita.

-Josyallenn Tavares

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31 de mar de 2015

Saudosa Memória

O coração de quem não chora
Não sabe a dor que o outro sente.
Sabe, mas parece fingir não ver,
Olha, mas na verdade nem quer saber,
Se é vero ou o amor que mente.

A tristeza escondida no peito
Salta mais forte que a alegria,
Desaparece o sorriso que teve um dia,
E agora se encontra sem nostalgia,
Demasiadamente em seu leito.

Despeito eu se for o caso,
De ver e não ter lhe ao meu braço,
Se desponto o meu embaraço
Que já se encontra em teu traço,
Nas tuas curvas me refaço.

Mas se me encontro em falta,
A carência vem e ressalta,
Lembro-me dos teus olhos como a ribalta,
Que iluminou o meu palco,
Tua pele como talco,
Teu beijo que me exalta.

-Josyallenn Tavares


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15 de jan de 2015

Morte à Ti

Ontem tive um sonho,
Foi até difícil de acreditar.
As coisas criaram vida,
E eu tentando me levantar.

Meu corpo já nem senti
Quando acordei alta madrugada,
Minha mente já nem pensava.
Era o coração no peito, que parava.

O passado se tornou meu medo
O futuro se tornou minha consequência,
Minhas palavras, inocência,
Meu presente inexistência.

Não sabia pra onde correr
Só queria te encontrar
Mas logo encontro o indivíduo
Que à força, insistiu em te levar.

Seu traje era preto musgo,
Sua feição era de dar medo,
Então do fundo da escuridão
Surgiu uma voz, e dizia: Alfredo...

Já depois voltava o silêncio,
E eu não sabia o que fazer
Se corria e pedia ajuda,
Ou se morreria eu e você.

Outras palavras surgiam da escuridão,
E meu peito já se acalmava.
Eu senti mais decidido
E minha mão já não suava.

O ódio era tanto
Que nem sei como entrei ali,
Saí correndo e fechei os olhos
Só pensei em salvar a ti.

Logo mais abri os olhos
E toda a escuridão se fez em luz,
Você estava à minha frente,
Com aquele olhar que me seduz.

Com seu sorriso no canto da boca
Foi aproximando-se à mim.
Mas então o meu semblante baixou,
Quando descobri que eu morri.

Ontem eu tive um sonho,
Monstros, heróis e vilão;
Talvez tenha sido um pesadelo,
Porém, sim, talvez não.

-Josyallenn Tavares

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